sábado, 23 de janeiro de 2010

O último boa noite.

Foram 186 dias de distância.

Nós aqui no Brasil e o Kike lá no Canadá. Está certo que em setembro por dois dias aplacamos um pouco dessa saudade doída, mas ainda assim não foi fácil superar esses dias. Ufa!!!


Lembro que quando o Kike embarcou me fiz crer que ele voltava para nós a partir daquele exato momento em que partia. Da mesma forma como dois anos antes com nosso filho mais velho o Caio, ali naquele momento vi meu filho ao cruzar o portão de embarque deixar de ser um menino para ser tornar um homem.

Superando os dias, um de cada vez, encontrei, encontramos todos, forças para resistir a sua ausência. Como fica grande nossa casa sem o Kike, ainda mais com nosso Caio morando parte do tempo em São Paulo.

De repente nosso ninho ficou vazio. Implacável o tempo passa: onde estão minhas crianças, onde estão os filhos do Ursão? Estão aqui no meu coração, guardados em minhas memórias, lembranças que levarei comigo.

Não é coisa de pai coruja não, só se for de mãe coruja, irmão coruja, avós, tios, primos e amigos corujas, mas ninguém contesta: Kike é especial.

Hoje em nosso último bate-papo de fim de dia ele nos contando sobre como foi a despedida nos confidenciou que sua professora o chamou de "young man" (jovem homem). O tempo que o Kike passou no Canadá foi mais que o suficiente para que as pessoas de seu convívio percebessem que de fato eles estavam diante de um verdaderio homem, jovem, mas um homem de verdade, de valores, princípios e convicções.

Um jovem homem que tem a coragem de duvidar do que é crença geral, que tem a coragem de ter uma conduta própria, sem se render ao autoristarismo do grupo muito comum nessa fase de sua vida.

Kike não se rende, questiona por instinto, é essa sua essência. Tem em sua personalidade a matéria comum das pessoas que vieram para mudar o mundo, sendo provável, como uma de suas professoras canadenses profetizou, que um dia ainda ouviremos falar muito dele.

Orgulho é a palavra que me vem a mente (mas é muito mais que isso) o sentimento que me toma. Se nunca duvidei do sucesso de Kike nessa experiência, confesso que nunca imaginei que ele fosse se sair tão bem.

O menino criado descalço, numa casa no meio da mata atlântica no Brasil, a quem me habituei a chamar de silvícola (tamanha resistência em se proteger contra o frio), agora é cidadão do mundo.

É mais uma etapa da criação de nosso filho que conseguimos conquistar. É mágico poder formar alguém, que mesmo tendo sua personalidade própria carrega consigo um pedaço de nós, é como poder se eternizar...

Foram noites e noites no Skype matando a saudade compartilhando acontecimentos e sentimentos.

Criamos até uma rotina de despedida, fazendo uma contagem regressiva que se deu nesta noite pela última vez. Começavámos no três para que com isso desligássemos ao mesmo tempo sem ter a sensação de ter se desconectado antes um do outro.

Sem mais despedidas, agora é só esperar pela manhã de domingo...





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